Sessenta folhinhas já foram rasgadas,
Faz sessenta anos que te possuímos,
E agora é que é cheio de amor, paz e glória,
O lar franciscano que nós construímos.
Pois, nesta harmonia, sigamos pra sempre,
No doce convívio do nosso apogeu,
Como os colibris em céus de abundâncias,
Sugando as essências, bebendo as fragrâncias,
Da horta de amores que o mundo nos deu.
Para mim foi ontem que aqui estudávamos,
Andando nos claustros, felizes, risonhos,
Sob nuvens escuras de céus abstratos,
Erguendo castelos repletos de sonhos.
Pintávamos quadros que não existiam,
Víamos impérios dourados demais,
Hoje, os nossos sonhos não são só miragens,
São mundos concretos, perfeitas imagens,
Pintadas em telas de quadros reais.
Penso e te vejo nos dias de festa,
Clima sacrossanto envolto num véu,
Ouvindo o velho órgão em sacros soluços,
Quais cantos de arcanjos cantados no céu.
As flores abertas, as velas acesas,
A Missa Solene, os salmos, os cantos,
O café com angu, queijo, rapadura,
O jogo oficial Ceará e Mistura,
As frutas do sítio e outros encantos...
Este reencontro nos faz ficar jovens,
E, mesmo que um século a gente ultrapasse,
Marchando no ocaso, de frontes curvadas,
Seremos meninos de rugas na face...
E quando descermos ao lodo do túmulo,
Submissos às normas do tempo cruel,
Ainda seremos os mesmos meninos,
E, em nuvens de rosas, cantaremos hinos,
Em longa viagem a caminho do céu.
©
Júlio Torres
01/03/2000 |
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José Júlio Martins Tôrres |
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Da esquerda para a direita:
Júlio Tôrres, Luiz Gonzaga Soares Timbó, Sônia
(esposa do Newton Timbó), Newton Timbó, ex-Frei Davi e
esposa. |
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